Carnaval 2022

25 de Fevereiro à 28 de Fevereiro

Biografia

  • Presidente: Vera Lúcia Corrêa de Souza
  • Rainha da Bateria: Quitéria Chagas
  • Carnavalesco: Júnior Pernambucano

Informação do Carnaval 2022

Grupo Grupo de Acesso
Dia de desfile 26/fevereiro
Hora do desfile 03:45

Tema - Enredo

Mangangá

Sinopse

“Eu destampei minha panela e soltei meu mangangá”

“Menina toma cuidado quando mangangá chegar”

“Besouro preto, besouro amarelo, faz a macumba do jeito que eu quero”

“Besouro preto, besouro encarnado, joguei a macumba lá no seu reinado”

(PONTO DE JUREMÁ)

O berimbau puxa o toque para um jogo de dentro lento e rasteiro. Jogo mandingueiro. O toque: ANGOLA.

Seu corpo foi fechado com reza, ladainha e patuá. Èsù seu sentinela. No orí, a mão de cada uma das iabás. Òsányìn deu-lhe a erva na medida. Xangô emprestou-lhe o oxê. Por ordenança de “seu” Arranca Toco, Caboclo Araúna deu-lhe a flecha que usava como navalha. Ogum, por sua vez, forjou a armadura que guardava seu corpo. Por isso, Besouro CORDÃO DE OURO, adiava com astucia, o juízo final. Ogum era seu camará e, se não bastasse, enquanto distribuía rasteiras, golpes de meia-lua e rabo-de-arraia, o ferramenteiro dos orixás soprava repetidamente em seu ouvido: “Filho de Ogum não pode apanhar / Eu sou guerreiro / Eu vim guerrear/ Filho de Ogum não pode apanhar / Eu sou guerreiro / Eu vim guerrear”.

O berimbau se agita. O ritmo alardeia que o perigo e a violência estão espreitando. O toque: CAVALARIA.

Quando perguntavam-lhe por seu mestre, dizia descender de Alípio, cativo do Engenho Pantaleão. Foi vaqueiro e amansador de burro bravo. Dizem, “o mais valente dos negros do cais de Santo Amaro”. Valentão. Vingador. Justiceiro. Passada a escravidão, não aceitava chefia. Só trabalhava se fosse por dinheiro. Não engolia senhor dizer que “quebrou pra São Caetano”. Os desavisados, agarrava pelo colarinho. Surrava. Golpeava. Do chapéu, retirava-lhes a pena, como quem vingava, inclusive, a dor do pavão.

O berimbau leva o TOQUE DE IDALINA. Toque para jogo de armas brancas. Guerreia-se contra facões.

Colecionou desafeto entre senhores, jagunços e policiais. Sobre Besouro era comum perguntar: Mas como por fim com morte matada a um cabra preto de corpo fechado como o de Besouro? Faca de tucun, revelou um traidor. Foi assim que, após Memeu - filho do fazendeiro Zeca – ter sido desmoralizado em praça pública pelos golpes do capoeira, uma cilada - nas redondezas de Maracangalha - emboscou o capoeira. Na tocaia, cercado por quarenta homens, bala nenhuma tirou-lhe uma gota de sangue. Mas um facão - concebido com a madeira mágica que ergue a palmeira de tucum em direção aos portões de Aruanda - tombou-lhe. Seu corpo vergou. O rasgo deixou escorrer o misticismo e o mistério de sua própria vida.

O berimbau puxa o TOQUE AMAZONAS. Toque para saudar a valentia dos mestres. Escuta-se as platinelas de um pandeiro e o dedilhar de uma viola baiana.

Guardo um ponto de juremá na memória que diz: “meu mano não chore não, que eu vou, e torno a voltar”. Isso me lembra que a morte cantada, versada e dançada não é morte, nem despedida. Besouro morreu e sua vida virou ladainha. Morreu, e a vida que levou virou samba de roda. Morreu, e sua valentia virou cântico de capoeira. Morreu e sua luta vai virar samba-enredo. Besouro morreu, pra viver na festa. Na alegria dos que vencerão.

“Êta besouro pra voar!” Segue, “sem choro e sem vela”. Canto um samba VALENTE E MIRONGUEIRO e, atendendo seu pedido, repouso teu corpo entre os enfeites de uma lapinha, com os versos que nunca esqueci:

“Quando eu morrer me enterre na Lapinha

Quando eu morrer me enterre na Lapinha

Calça, culote, palitó almofadinha

Adeus Bahia, zum-zum-zum.

Cordão de ouro

Eu vou partir porque mataram meu besouro”


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